Diretrizes gerais da ação evangelizadora da Igreja No Brasil 2015-2019 (Doc. 102 CNBB)

Capitulo I - A Partir de Jesus Cristo

O primeiro capítulo apresenta a reflexão “A partir de Jesus Cristo”. Jesus Cristo é a fonte da ação evangelizadora da Igreja, por isso ela se torna lugar de encontro com Jesus Misericordioso. A fé nasce do encontro pessoal com Cristo, por mediação da Igreja através do diálogo entre a fé e a razão. Este capítulo também destaca as atitudes fundamentais do discípulo missionário: alteridade, isto é, o próximo nas suas diferenças, que exigem do discípulo-missionário respeito mútuo, para que haja partilha, intercâmbio de vida e solidariedade; e gratuidade, ou seja, amar o próximo, em Jesus Cristo, por meio de atitudes fraternas e solidárias. Com essas atitudes, corta-se a raiz mais profunda da violência, da exclusão, da exploração e de toda discórdia. Promove-se assim a justiça, paz, reconciliação e fraternidade, numa manifestação extrema de amor até aos inimigos. A Igreja "em saída" é fiel ao mandato evangélico de ir ao encontro dos afastados e excluídos.

 

Capitulo II - Marcas de nosso tempo

O segundo capítulo tem excelentes textos abordando o contexto atual: mudança de época e os riscos e consequências de uma mudança de época.

As mudanças de época afetam os critérios de compreensão dos valores mais profundos, a partir dos quais se afirmam as identidades e se estabelecem ações e relações. Constatamos avanços em vários âmbitos humanos da ciência, da técnica e da sociedade, como por exemplo: a promoção da mulher, a valorização das minorias étnicas, busca da justiça, da paz e da ecologia; a consciência da importância dos movimentos sociais e dos direitos à educação e à saúde; iniciativa para à superação da miséria e da fome.

Mas também está nossa época traz o aumento progressivo do relativismo, a ausência de referências sólidas, o excesso de informações, a superficialidade, o desejo a qualquer custo de conforto e facilidades, a aceleração do tempo trazendo desafios existenciais e produzindo incertezas, precariedade, insegurança e inquietação. Os critérios que regem a sociedade e a economia visam à realização do sucesso pessoal em detrimento do bem comum e da solidariedade. Os pobres (agropecuários, mineiros, pescadores, índios), são considerados "resíduos e sobras". Não podemos esquecer as práticas preocupantes de banalização da vida: manipulação de embriões, práticas abortivas e mortes absurdas; ausência de políticas públicas para uma vida digna com educação, saúde, segurança, trabalho, laser, moradia; da efetiva proteção à vida e à família, às crianças, aos adolescentes, aos jovens e aos idosos e às pessoas com deficiência. Verdadeiro câncer social, a corrupção agrava a situação, conjuntamente com o tráfico de pessoas, drogas e armas.

Do ponto de vista antropológico temos a redução da pessoa humana ao consumismo e por isso, cresce a rejeição ética a Deus.

No âmbito religioso encontram-se práticas marcadas por fundamentalismo, emocionalismo e sentimentalismo. A salvação passa a ser apresentada como sinônimo de prosperidade material, saúde física e realização afetiva.

No âmbito católico, um considerável número de pessoas se afasta por diversas razões da comunidade eclesial, sinal da "crise do compromisso comunitário". Igreja ao invés de ser missionária, preocupa-se somente com uma pastoral de manutenção, sendo compreendida como mera prestadora de serviço religioso, e não lugar de vivência fraterna e solidária.

Cada vez mais, cresce a responsabilidade do discípulo-missionário, que não desanima, nem se acomoda, mas reage com a força do Espírito Santo e busca encontrar uma nova figura de comunidade eclesial, acolhedora e missionária.

 

Capitulo III - Urgências na ação Evangelizadora

Para que a Igreja do Brasil possa superar uma pastoral decididamente missionária. Numa atitude de "conversão pastoral" é necessário voltar às fontes e recomeçar a partir de Jesus Cristo, para que a Igreja supere a tentação de ser autorreferencial e assim se colocar no caminho do amor-serviço às pessoas sofredores desta terra. Nesse contexto emergem as cinco urgências na evangelização, que estão unidos entre si, de tal forma, que assumir uma delas, implica assumir todas elas. Estão unidas e presentes, pois se referem a Cristo e ao encontro com Ele, por meio de um mergulho gradativo no mistério do Redentor:

 

  1. Igreja em estado permanente de missão

 

Aberta ao Espírito Santo, sempre presente, atuante e defensor para assumir a missão de sair a todos os lugares, em todas as ocasiões, sem demoras, sem  repugnâncias e sem medo. Esta missão implica três características: urgência, amplitude e inclusão.

  1. É urgente em decorrência da necessidade de anunciar o Evangelho com renovado ardor missionário, perante os graves problemas éticos, e os desafios da realidade brasileira. É ampla e includente, porque reconhece que todas as situações, tempos e os locais são seus interlocutores.
  2. Cada batizado deve "primeirar", isto é, tomar a iniciativa de sair ao encontro das pessoas, das famílias, das comunidades e dos povos para lhes comunicar e compartilhar o dom do encontro com Cristo.
  3. Se faz necessário e urgente pensar em novas estruturas pastorais que favoreçam a realização da atual consciência missionária, aponto de deixar para atrás práticas, costumes, e estruturas que por corresponderem a outros momentos históricos, atualmente não favorecem a transmissão da fé.

 

  1. Igreja: casa da Iniciação a vida cristã

 

É necessário ajudar as pessoas a seguirem Jesus de um modo apaixonado, através de um anúncio sobre Jesus Cristo não pressupondo que todos o conheçam, mas sim, que necessite ser explicitado continuamente.

  1. Deve suscitar na Igreja não somente catequese para recepção dos sacramentos, mas uma catequese de inspiração catecumenal de modo contínuo e persistente.
  2. A iniciação cristã fundamenta-se na centralidade do querigma ou primeiro anúncio, isto é, do amor de Deus Pai em Jesus Cristo, que por nós morreu e ressuscitou e deu- nos o Espírito Santo. Este anúncio é essencial e deve dar tempo e ter uma paciência imensa, para que as pessoas possam amadurecer na fé.
  3. A catequese requer uma série de atitudes: acolhida, diálogo, partilha, escuta da Palavra de Deus e adesão à vida comunitária.
  4. O perfil do catequista deve ser catequista/evangelizador, isto é, ponte entre o coração que busca a descobrir ou redescobrir Cristo.
  5. A liturgia deve ser celebrada na comunidade dos fiéis, pois ela é o ápice que tende a ação da Igreja. Por isso nenhuma atividade, pode ser realizada, sem referência Litúrgica. Ela é a fonte da verdadeira alegria e tem um papel fundamental na missão evangelizadora da Igreja e na consolidação da comunidade cristã, e na formação dos discípulos-missionários.

 

  1. Igreja: lugar de animação bíblica da vida e da pastoral

 

Iniciação cristã e a Palavra de Deus estão intimamente ligadas. Deus se dá conhecer no diálogo que estabelece conosco através da Palavra de Deus e da Tradição Viva da Igreja. Portanto, o discípulo missionário deve redescobrir o contato pessoal e comunitário com a Palavra de Deus, como o lugar privilegiado do encontro com Jesus Cristo.

  1. Hoje mais do que nunca, é necessário uma formação adequada para que o discípulo- missionário possa familiarizar-se com a palavra de Deus e a mesma não seja instrumentalizada para o interesse pessoal.
  2. A palavra de Deus dirigi-se a todos: crianças, jovens, adultos e idosos, mas precisamos entender que a Palavra de Deus gera solidariedade, justiça e reconciliação, paz e defesa de toda criação. É a própria palavra de Deus quem diz como devemos agir, por isso devemos ser ouvintes e obedientes a Palavra do Senhor; acolhida em comunhão com a Igreja (espírito eclesial).
  3. A palavra de Deus é Luz para a vida, é um alimento salutar, como não lembrar quanta riqueza recebemos dos círculos bíblicos, grupos de reflexão, grupos de quadra e outros similares. A palavra de Deus é animação a toda pastoral, isto é, um caminho de conhecimento e interpretação da palavra, um caminho de comunhão em oração com a palavra e um caminho de evangelização e proclamação do Evangelho.

 

  1. Igreja: comunidade de comunidade

 

O discípulo missionário vive a sua fé em uma comunidade concreta, isto implica convívio, vínculos profundos, afetividade, interesses comuns, estabilidade e solidariedade nos sonhos, nas alegrias e nas dores. A comunidade eclesial acolhe, forma e transforma, envia em missão, restaura, celebra, adverte e sustenta.

  1. As paróquias tem importante papel na vivência da fé. Em vista da conversão pastoral, o que a missão hoje exige: elas precisam tornar-se cada vez mais comunidades vivas e capazes de propiciar a seus membros uma real experiência de "discípulos e missionários de Jesus Cristo, em comunhão", pois assim serão mais próximos das pessoas, sendo âmbitos de viva comunhão, participação e missão.
  2. Muitas pessoas levadas por uma busca sincera por Jesus Cristo, fazem com que surjam novas formas de vida comunitária. Alimentadas pelo pão da Palavra e da Eucaristia, na partilha da mesma fé e missão, essas comunidades dão lugar a verdadeira comunidades de comunidades. Entre elas encontram-se as comunidades eclesiais de base e outras tantas formas válidas de pequenas comunidades, que ao viver o seu carisma, assumem a missão evangelizadora de acordo com a realidade local e testemunham a comunhão na pluralidade.
  3. Encontramos comunidades transterritoriais, ambientais e afetivas, mas temos que nos deparar com tantos desafios, devido a urbanização, na qual a vizinhança geográfica não significa necessariamente contato afetivo e solidário. Nos ambientes virtuais, onde a rapidez da comunicação e a superação da distância geográfica são atrativas, especialmente aos jovens, deve-se ter atenção especial, pois nada deve substituir o contato pessoal.
  4. O diálogo é o caminho permanente para a boa convivência e o aprofundamento da comunhão. Para evitar o surgimento de comunidades fechadas em si mesmo, nós precisamos enfrentar o grande desafio de educação para vivência da unidade na diversidade, na qual se constrói a verdadeira fraternidade.

 

  1. Igreja a serviço da vida plena para todos

 

 A vida é dom de Deus e a nossa missão de discípulos-missionários de Jesus Cristo é o serviço à vida plena. Nós nos preocupamos com condições de vida de muitos abandonados, os excluídos e ignorados em sua miséria e dor, que contradizem o projeto do Pai e nos desafiam na construção da cultura da vida?

  1. Por meio da cultura da vida, nós testemunhamos que somos discípulos e missionários de Cristo que veio resgatar a todos e nos comprometemos com toda ameaça à vida humana, desde o seu nascimento até a morte natural.
  2. Contemplando os diversos rostos de sofredores especialmente os "resíduos e sobras", e nós nos preocupamos com a preservação da vida. Preocupamos com a despersonalização do aborto ou a sua legalização e nos preocupamos também diante da vida sem alimentação, casa, terra, trabalho, educação, saúde, lazer, liberdade, esperança e fé.
  3. A igreja da caridade não é uma espécie de atividade de assistência social, mas a nossa opção preferencial pelos pobres implica a cristologia daquele Deus que se fez pobre por nós para nos enriquecer com a sua pobreza. Devemos lutar contra tentação de ser cristãos, mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor. Devemos tocar a miséria humana de todos os sofredores.
  4. Para superar a exclusão e a miséria devemos implicar-nos a construir um relacionamento fraterno de escuta e acompanhamento das dificuldades, buscando a partir dos próprios pobres a mudança de uma situação e a transformação social. Para tanto devemos formar bem os fiéis leigos para que possam participar de modo ativo do mundo da política, buscando cada vez mais um mundo justo, fraterno e solidário. Daí a urgência na formação e o apoio aos cristãos, para que atuem nos movimentos sociais, conselhos de políticas públicas, associação de moradores, sindicatos e partidos políticos e outras entidades, sempre iluminados pelo ensino Social da Igreja. Tão desacreditada em nossos dias, a política, no entanto, é uma sublime invocação, é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum.
  5. É necessário buscar uma formação da consciência ecológica e considerar a criação como um dom, uma dádiva maravilhosa que Deus nos concedeu, para cuidarmos e utilizarmos em benefício de todos, sempre com um grande respeito e gratidão.
  6. O serviço testemunhal a vida, de modo especial, à vida fragilizada e ameaçada é a mais forte atitude que podemos estabelecer com a realidade que sente a negação da primazia do ser humano e o peso da cultura de morte. Neste sentido a Igreja samaritana anuncia e vive neste mundo, acima de tudo. Por amor a vida, convoca a comunhão efetiva entre todos os seres vivos.

 

 

 

Capitulo IV - Perspectivas de ação

 

As perspectivas de ação querem contribuir com uma Igreja "comunhão e participação", despertando a criatividade e fornecendo subsídios às diversas iniciativas da ação evangelizadora. Além do mais, quer promover nas Igrejas particulares e entre elas, uma pastoral orgânica e de conjunto mais eficaz, pois a Igreja é Igreja de Igrejas.

 

  1. Igreja em estado permanente de missão

 

A experiência da fé faz transbordar o anúncio explícito de Cristo para além da comunidade cristã: os fiéis que não tem frequência regular; os que não vivem mais as exigências do batismo; e os que não conhecem Jesus ou que o recusam. Os grupos humanos ou categorias sociais que merecem atenção especial: pessoas que estão vivendo na periferia das nossas cidades, indígenas e afrodescendentes, intelectuais, artistas, políticos, formadores de opinião, esportistas, trabalhadores com grande mobilidade, nômades, pessoas com deficiência, etc. Sem dizer que a juventude também merece uma atenção especial, pois sem jovens, a Igreja é uma Igreja sem presente e sem futuro, pois precisamos da força evangelizadora deles, e sua significativa predisposição para as iniciativas missionárias e serviços voluntários.

  1. As missões populares e as visitas sistemáticas aos locais de trabalho, moradias de estudantes, nas favelas e nos cortiços, nos alojamentos de trabalhadores, nas instituições de saúde, nos assentamentos, nas prisões, nos albergues e junto aos moradores de rua são caminhos eficazes de evangelização e testemunho de uma "Igreja em saída".
  2. Se faz necessário criar "Conselhos Missionários" , no qual cada Igreja particular é capaz de articular e animar iniciativas de missão em seu território, com abertura além fronteiras.
  3. É urgente a iniciativa ecumênica para buscar cordialmente a unidade com os irmãos que creem em Jesus Cristo; e o diálogo inter-religioso, isto é, encontro fraterno e respeitoso com seguidores de outras religiões.
  4. As nossas comunidades, a exemplo de Jesus que soube acolher e atender pessoas de outras tradições religiosas e dialogar com elas, devem promover o diálogo e a cultura de encontro diante de manifestações, às vezes violentas, de intolerância religiosa.
  5. Faz-se necessário estimular e incentivar o projeto "Igreja Irmãs" levando em conta a situação de grave necessidade pessoal e de recursos nas regiões mais carentes do país. Neste sentido, merece especial apoio o projeto "Comunhão e Partilha", em favor das Igrejas com maior carência de recursos econômicos, promovido, pela CNBB. A região amazônica merece especial atenção ao empenho missionário.

 

  1. Igreja: casa da Iniciação a vida cristã

 

Se faz necessário criar em nossas comunidades um processo de iniciação cristã que conduzam os fiéis ao "encontro, pessoal com Jesus Cristo".         

  1. Deve ser uma catequese de inspiração catecumenal, não somente para preparação para recepção dos sacramentos, mas continuada durante todas as fases da vida, que se ocupe do "cultivo da amizade pela oração, no apreço pela celebração litúrgica, na experiência comunitária e no compromisso apostólico, mediante um permanente serviço ao próximo".
  2. Se faz necessário uma melhor formação dos responsáveis pela catequização, e um itinerário catequético permanente, assumido pela Igreja particular, com a ajuda da Conferência Episcopal, que não se limite a uma formação doutrinal, mas integral, isto é, que seja de inspiração bíblica, mistagogica e litúrgica.
  3. Além da formação bíblica dos fiéis, e necessário que os fiéis recebam uma formação mistagogica (instrução sobre a Liturgia e os Sacramentos), ou seja, uma vivência da liturgia dos Sacramentos, para que os mesmos "participem de modo consciente e ativo no mistério de Jesus Cristo". A pastoral litúrgica deve unir-se a pastoral catequética das nossas comunidades.
  4. Portanto, é necessário: formar os agentes de pastorais no aspecto litúrgico; preparar as celebrações; realizar com dignidade as celebrações e avaliar a preparação das celebrações.
  5. É importante valorizar a experiência de vida de cada pessoa, ajudando-a reconhecer a própria busca de Deus e a abrir-se à sua presença salvadora.
  6. A formação dos discípulos missionários precisa articular fé e vida integral com cinco aspectos fundamentais: "encontro pessoal com Jesus Cristo; a conversão; o discipulado; a comunhão; a missão. Tal formação integra vivência comunitária, a participação em celebrações e encontros, a interação com os meios de Comunicação, a inserção em diferentes atividades pastorais e espaços de capacitação, movimentos e associações.
  7. A família tem papel indispensável nesta catequese catecumenal.
  8. A formação de leigos e leigas precisa ser uma das prioridade da Igreja particular e será mais frutuosa e eficaz se integrada num "projeto orgânico de formação".

 

 

  1. Igreja: lugar de animação bíblica da vida e da pastoral

 

Visa propiciar meios de aproximação das pessoas à Palavra de Deus, para conhecê-la e interpretá-la corretamente; entrar em comunhão com a Palavra de Deus por meio da oração; evangelizar e proclamá-la como fonte de vida em abundância para todos.

  1. Lugar privilegiado da Palavra de Deus sãos as celebrações litúrgicas, onde Deus fala com o seu povo; na homilia que atualiza a mensagem da Bíblia.
  2. É necessário ser criadas e fortalecidas "equipes de animação bíblica pastoral" que promovam: reunião de grupos de famílias, círculos bíblicos e pequenas comunidades em torno a meditação e vivência da Palavra, cursos e escolas bíblicas voltadas sobretudo para os leigos, ajudando- os a interpretar corretamente a Sagrada Escritura.
  3. A "Leitura orante" seja incentivada e reforçada de modo que favoreça o encontro pessoal com Jesus e proporcione comunhão com o Senhor e ilumine a realidade vivida pelos participantes, animando-os e despertando-os para o compromisso evangélico a serviço do Reino de Deus.
  4. A Bíblia seja conhecida nas escolas, universidades sobretudo através da "educação religiosa". Deve utilizar os "novos meios de comunicação social" para fazer ressoar o Evangelho.
  5. Deve-se investir na instituição e formação continuada dos ministros e ministras da Palavra e na adequada formação do exercício do múnus de leitor na celebração litúrgica, com capacitação não apenas bíblica e litúrgica, mas também técnica.

 

  1. Igreja: comunidade de comunidades

 

A igreja do Brasil deseja incentivar a renovação das paróquias, de modo urgente, buscando a setorização das mesmas unidades menores com equipes próprias de animação e coordenação. Como exemplos estão as Comunidades Eclesiais de Base, as diversas formas válidas de comunidade de movimentos, associações, de grupos de vida, de oração e da Palavra de Deus; que por ser uma riqueza que o Espírito Santo suscita são convocados a reflexão com a paróquia local, a assumirem os planos pastorais de cada Igreja particular e, com elas, se unirem em torno das diretorias da ação evangelizadora da Igreja no Brasil.

  1. A pastoral vocacional tem o compito de suscitar e desenvolver uma verdadeira cultura vocacional nas comunidades, especialmente entre os adolescestes e jovens.
  2. Para uma Igreja comunidade de comunidades, é imprescindível o empenho por uma efetiva participação de todos nós nos destinos da comunidade. Para isto, faz-se necessário promover: a diversidade de mistérios; a união dos presbíteros, diáconos, consagrados, leigos; a formação e a atuação das assembleias; conselhos e comissões; a articulação da pastoral de conjunto; a constituição de um fundo diocesano de comunhão e partilha como expressão de comunhão eclesial entre as suas comunidades (paróquias irmãs).

 

  1. Igreja a serviço da vida plena para todos

 

Através de uma pastoral social estruturada, orgânica e integral, temos vocação e a missão de promover, cuidar e defender vida em todas as suas expressões. Ao fazer isso, testemunha que o querigma possui um conteúdo inevitavelmente social: no próprio coração do Evangelho, aparece a vida comunitária e o compromisso com os outros (caridade).

  1. O serviço a vida começa pelo respeito à dignidade da pessoa humana, através de iniciativas como: a) defender e promover a dignidade da vida humana em todas as etapas da existência, desde a fecundação até a morte natural; b) tratar o ser humano como fim e não como meio, respeitando-o em tudo que lhe é próprio: corpo, espírito e liberdade; c) tratar todo ser humano sem preconceito nem discriminação, acolhendo, perdoando, recuperando a vida e a liberdade de cada pessoa, tendo presentes as condições materiais e o contexto histórico, social, cultural em que cada pessoa vive.
  2. Um olhar especial merece a família, patrimônio da humanidade, lugar e escola de comunhão, primeiro espaço para a iniciação à vida cristã das crianças, no seio da qual, os pais são os primeiros catequistas. Tamanha é sua importância que precisa ser considerada “um dos eixos transversais de toda a ação evangelizadora” Portanto, é preciso uma pastoral intensa, vigorosa e frutuosa, capaz de animar a vivência da santidade no matrimônio e na família, atendendo também as diversas situações familiares e reivindicando as condições socioeconômicas necessárias ao bem estar da pessoa, da família e da sociedade.
  3. É preciso intensificar o empenho na defesa da dignidade das mulheres, das pessoas com deficiência e os idosos. As crianças, os adolescentes e jovens precisam de maior atenção das nossas comunidades eclesiais, pois são os mais expostos ao abandono, às drogas, a violência, a venda de armas, ao abuso sexual, ao tráfico humano e as várias formas de exploração do trabalho.
  4. No âmbito da economia é necessário compartilhar as alegrias e a preocupações dos trabalhadores e trabalhadoras, por meio da presença evangelizadora nos locais de trabalho, nos sindicatos e nas associações.
  5. Merecem atenção especial os migrantes obrigados a sair em busca de trabalho e moradia.
  6. No âmbito da cultura, cabe promover uma sociedade que respeite as diferenças, combatendo o preconceito e as discriminações em todas as esferas. É urgente trabalhar pela criação e aplicação de mecanismos para combater a qualquer forma de descriminação, mas sempre vigilantes, evitando as afirmações exasperadas de direitos individuais e subjetivos. Portanto, é necessário trabalhar em prol da inclusão social e do reconhecimento dos direitos das minorias: comunidades tradicionais, indígenas, afrodescendentes, ciganos, pescadores, etc.
  7. Uma tarefa muito importante é a formação de pensadores e pessoas que estejam em níveis da decisão da evangelização: o mundo universitário, o mundo da comunicação, os empresários os políticos, os dirigentes sindicais e os líderes comunitários.
  8. Devemos procurar também incentivar a pastoral da cultura, por meio dos centros culturais católicos e de projetos que visem atingir o mundo da difusão cultural.
  9. É de suma importância à preocupação com a preservação da natureza e o cuidado com ecologia humana, através das atitudes que respeitem a plena vida de cidades com ações voltadas para o meio ambiente.
  10. Promova-se também a participação social e política dos cristãos leigos nos mais diversos níveis das instituições, sobretudo, porque vivemos numa crise de democracia e devemos lutar contra corrupção, em prol da unidade e fraternidade entre povos. O espaço deve ser trabalhado generosamente e conjuntamente com as instituições privadas ou públicas, movimentos populares que visem o bem do ser humano. Devemos buscar a convivência pacífica, em meio a uma sociedade marcada pela violência e banalização da vida.
  11. Jesus quer que toquemos a miséria humana: as favelas, os cárceres, as emoções forçadas, os moradores de rua, as crianças, adolescentes e jovens em situações de risco, a realidade da droga, a mulher marginalizada, e outras situações de sofrimento humano.
  12. Devemos nos empenhar como comunidade de fé pela promoção humana e pela justiça social, por isso é necessário o conhecimento e a aplicação da doutrina Social da igreja, como decorrência da fé cristã.

 

 

Conclusão

 

                 Planejar a pastoral não é um processo meramente técnico. É uma ação encarregada de sentido espiritual. Por isso, todo processo precisa ser rezado, celebrado e transformado em louvor a Deus. Para tanto, são necessários evangelizadores que se abram sem medo ação do Espírito Santo.          Confiamos à mãe Aparecida o generoso esforço que será feito para aplicação desta as diretrizes, como também os frutos que dela são esperados.

                “As redes da Igreja são frágeis, talvez remendadas; a barca da Igreja não tem a força dos grandes transatlânticos que cruzam os oceanos. E, no entanto, Deus quer se manifestar justamente através de nossos meios, meios pobres, porque é sempre Ele quem está agindo”. 209 Nele nós confiamos! “Pela sua palavra” (Lc 5,5), lançaremos as redes! (Papa Francisco, Discurso no encontro com os Bispos durante JMJ, 2013, n. 1).

padre Lázaro


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Como foste fiel na administração de tão pouco, vem participar de minha alegria.
Evangelho - Mt 25,14-30 - 19/11/2017 - Pe. Durvano Ap. Dourado Porto - pároco

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